Agenda Solaire

26 outubro 2026

Eleições 2026: recorde de votação, democracia e os desafios da representação política no Brasil

Reeleito com 64,2 milhões de votos, Lula estabelece a maior votação absoluta da história das eleições presidenciais brasileiras. O resultado também evidencia a competitividade da disputa, a divisão do eleitorado e o papel das instituições na garantia do processo democrático.




O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 encerrou uma das disputas mais competitivas da história eleitoral recente do Brasil. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos, segundo a totalização oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além de definir o próximo mandato presidencial, o resultado estabeleceu um novo marco estatístico: Lula superou a própria votação de 2022 e passou a deter o maior número absoluto de votos já recebido por um candidato à Presidência da República no Brasil. A marca anterior era de 60.345.999 votos, obtidos no segundo turno daquele ano.

O resultado de 2026, portanto, amplia o recorde anterior em 3.910.233 votos. A informação acrescenta uma dimensão histórica à análise da eleição, mas também exige uma interpretação cuidadosa sobre o significado dos números para a democracia brasileira.


Um recorde histórico em números absolutos

O levantamento histórico das votações presidenciais mostra a concentração dos maiores totais absolutos de votos nas eleições mais recentes, em parte porque o eleitorado brasileiro cresceu ao longo das décadas.

Considerando os resultados apresentados, o ranking das cinco maiores votações presidenciais é o seguinte:


Fonte: resultados eleitorais divulgados pelo TSE e levantamento histórico das votações presidenciais. Consulte também o portal de Estatísticas Eleitorais do TSE.


O levantamento demonstra que Lula ocupa três posições entre suas próprias votações de 2006, 2022 e 2026, considerando os números absolutos apresentados. 

Entretanto, é importante distinguir maior número absoluto de votos de maior percentual de apoio eleitoral. O primeiro indicador contabiliza a quantidade de votos recebidos; o segundo considera a proporção desses votos em relação ao total de votos válidos.

Como o eleitorado brasileiro se expandiu ao longo do tempo, uma votação numericamente maior não significa necessariamente que o candidato tenha obtido a maior proporção histórica de apoio. Para realizar essa comparação, seria necessário examinar os percentuais de todos os pleitos sob critérios equivalentes.

O recorde de 2026 é, portanto, um dado histórico objetivo, mas seu significado político deve ser analisado em conjunto com os demais indicadores eleitorais.


Uma vitória por margem estreita e uma oposição expressiva


A reeleição de Lula ocorreu em uma disputa na qual os dois candidatos receberam, juntos, mais de 124 milhões de votos válidos.

O resultado permite afirmar que Lula recebeu a maioria dos votos válidos e foi reeleito conforme a regra eleitoral aplicável ao segundo turno. Ao mesmo tempo, a votação de Flávio evidencia que uma parcela numericamente significativa do eleitorado optou por um projeto político diferente.

Esses dados não devem ser interpretados como uma divisão perfeitamente uniforme da sociedade entre dois grupos. Os votos expressam escolhas individuais influenciadas por diferentes fatores, como avaliação do governo, condições econômicas, propostas, identificação partidária e expectativas em relação ao futuro do país.

A votação agregada revela a distribuição dos votos, mas não permite determinar, isoladamente, as motivações de cada eleitor.


Da liderança no primeiro turno à definição no segundo


A trajetória da eleição de 2026 também apresenta um elemento relevante para a análise política. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 56.104.503 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53.879.538 votos, ou 45,16%.

No segundo turno, o resultado foi diferente: Lula alcançou 64.256.232 votos, e Flávio Bolsonaro terminou com 59.826.041.

A comparação demonstra que Lula ampliou sua votação nominal entre os dois turnos, enquanto Flávio também terminou a eleição com um total de votos superior ao registrado na primeira rodada.

A mudança na ordem de classificação entre os turnos evidencia uma característica fundamental do sistema eleitoral brasileiro: o primeiro turno seleciona as duas candidaturas mais votadas, enquanto o segundo concentra a decisão entre elas.

Nesse intervalo, os eleitores podem rever suas escolhas, optar por uma candidatura diferente, manter sua preferência ou não comparecer às urnas. Os números finais demonstram o resultado dessas escolhas em conjunto, mas não identificam individualmente como cada eleitor se comportou entre os turnos.


Participação eleitoral e representação democrática


O balanço divulgado pelo TSE registrou 158.745.502 eleitores aptos. No segundo turno, 128.236.074 compareceram às urnas, enquanto 30.509.005 se abstiveram, correspondendo a aproximadamente 19,22% do eleitorado.

Também foram registrados 1.430.496 votos em branco e 2.723.305 votos nulos.

Os dados indicam uma participação expressiva em números absolutos, acompanhada de uma parcela relevante de eleitores que não compareceu. A abstenção, entretanto, não pode ser interpretada automaticamente como rejeição aos candidatos ou às instituições. Para compreender suas causas, seriam necessárias pesquisas específicas sobre as motivações dos eleitores ausentes.

A democracia representativa depende tanto da realização de eleições regulares quanto da existência de condições para que os cidadãos participem, tenham acesso à informação e possam acompanhar as decisões dos representantes eleitos.

Por isso, a análise dos resultados não deve se limitar à votação dos vencedores. O comparecimento, a abstenção, os votos brancos e nulos também compõem o retrato estatístico do processo eleitoral.


Justiça Eleitoral: transparência, fiscalização e segurança jurídica


A legitimidade de uma eleição depende não apenas da apuração correta dos votos, mas também da garantia de condições adequadas para que os cidadãos possam exercer seu direito de participação, da transparência dos procedimentos e da existência de mecanismos institucionais para examinar eventuais irregularidades.

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 trouxe um episódio excepcional que colocou esses princípios em evidência. Problemas no transporte público em diferentes cidades e fortes chuvas em regiões do país motivaram pedidos de ampliação do horário de votação. As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro recorreram à Justiça Eleitoral com argumentos relacionados, respectivamente, às dificuldades de transporte e às condições climáticas.

Na tarde de 25 de outubro, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h. Diante das dificuldades de aplicação da medida em seções que já haviam encerrado os trabalhos, a orientação foi posteriormente delimitada: a votação deveria continuar apenas nos locais em que ainda não havia sido encerrada. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que retomaria o recebimento dos boletins de urna e a totalização dos votos após as 19h. A contagem havia sido temporariamente interrompida às 17h06, quando 1.225 das 499.248 seções eleitorais tinham sido totalizadas. 

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-10/tse-secoes-eleitorais-ainda-abertas-devem-manter-votacao-ate-19h

A execução da medida gerou dificuldades práticas. Segundo relatos publicados pela Agência Brasil, parte dos eleitores encontrou seções já fechadas, enquanto mesários e equipes locais receberam orientações em momentos diferentes. A situação provocou frustração entre cidadãos que esperavam conseguir votar durante o período adicional. Esses episódios evidenciam os desafios de implementar uma decisão judicial de alcance nacional quando o procedimento eleitoral já está em fase de encerramento. 

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-10/prorrogacao-da-votacao-teve-baixa-procura-e-frustracao-de-eleitores

No balanço do segundo turno, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, destacou o caráter inédito da prorrogação e as dificuldades técnicas e operacionais provocadas pela decisão tomada próximo ao horário previsto para o encerramento da votação. O tribunal também informou que milhares de urnas já haviam sido encerradas, o que impossibilitava sua reabertura. Esse contexto torna relevante examinar não apenas o fundamento jurídico da medida, mas também a comunicação entre as instituições, a uniformidade das orientações e os procedimentos adotados para preservar o direito ao voto e a integridade dos registros eleitorais.

Fonte:  https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Outubro/presidente-do-tse-anuncia-reeleicao-de-lula-e-faz-balanco-do-2o-turno-das-eleicoes-2026

O episódio não deve ser analisado a partir de conclusões antecipadas. A existência de dificuldades operacionais, por si só, não demonstra que o resultado tenha sido alterado ou que a eleição seja inválida. Da mesma forma, a regularidade da totalização dos votos não elimina a necessidade de esclarecer eventuais falhas de acesso, comunicação e execução das decisões judiciais. Para avaliar possíveis consequências, é necessário considerar registros oficiais, documentos processuais, dados sobre as ocorrências e eventuais decisões posteriores das autoridades competentes.

A transparência eleitoral exige que esses questionamentos possam ser examinados com base em evidências, respeitando o devido processo legal e distinguindo fatos comprovados de alegações políticas. A Justiça Eleitoral tem a responsabilidade de organizar e fiscalizar o processo, assegurar a aplicação das normas e oferecer informações que permitam à sociedade acompanhar e conferir os resultados.

Em uma democracia, a confiança nas eleições não depende da ausência absoluta de problemas, mas da capacidade das instituições de agir com clareza, coerência, responsabilidade e respeito às garantias legais. O episódio de 2026 reforça a importância de protocolos previamente definidos para situações excepcionais, de comunicação pública tempestiva e de procedimentos que conciliem decisões judiciais urgentes com a segurança jurídica e a igualdade de condições para o exercício do voto.

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Balanço do segundo turno das Eleições 2026; Agência Brasil — Orientação para manter abertas até as 19h as seções que ainda funcionavam; Agência Brasil — Relatos sobre a prorrogação e a frustração de eleitores.


O que os números revelam sobre o cenário político brasileiro?


A eleição de 2026 oferece três constatações relevantes.

A primeira é o estabelecimento de um recorde histórico de votação absoluta, com Lula superando a marca que ele próprio havia alcançado em 2022.

A segunda é a permanência de uma competição política intensa. A diferença entre os candidatos, embora suficiente para definir o resultado conforme as regras eleitorais, não elimina a expressiva presença do campo político representado pela candidatura derrotada.

A terceira é que os resultados eleitorais, por si só, não explicam integralmente o comportamento da sociedade. Para compreender as transformações políticas entre 2022 e 2026, é necessário considerar outros elementos, como pesquisas de opinião, distribuição regional dos votos, condições socioeconômicas e avaliações sobre as políticas públicas.

A votação obtida por cada candidato é um dado objetivo. Já as interpretações sobre as razões da escolha dos eleitores exigem investigação adicional, evitando conclusões que extrapolem as informações disponíveis.


Democracia para além do resultado das urnas


O resultado de 2026 confirma a escolha majoritária dos votos válidos por Lula e estabelece um novo recorde de votação presidencial no Brasil. Ao mesmo tempo, revela a existência de uma oposição com apoio eleitoral expressivo e a continuidade de uma disputa política marcada por diferenças significativas de visão sobre o país.

A democracia, porém, não se encerra com a proclamação do resultado. Sua qualidade depende também da atuação das instituições, da fiscalização do poder público, da liberdade de expressão, da participação cidadã e do respeito às regras constitucionais.

Ao governo eleito cabe exercer o mandato e responder às demandas da população. À oposição cabe fiscalizar, formular alternativas e participar do debate público. Aos cidadãos cabe acompanhar as decisões, buscar informações confiáveis e avaliar os resultados das políticas adotadas.

O recorde de votos é um marco estatístico; a eleição é uma decisão democrática; e a qualidade da vida pública depende da participação contínua da sociedade.

Compreender esses três aspectos permite analisar o cenário político brasileiro de maneira mais objetiva, sem confundir o resultado eleitoral com uma representação uniforme das opiniões de toda a população.

A escolha das urnas define quem recebe o mandato para governar. O fortalecimento da democracia depende, por sua vez, da capacidade coletiva de transformar a competição política em responsabilidade pública, transparência institucional e respeito à pluralidade de ideias.

Fontes para consulta:


05 outubro 2026

De 2022 a 2026: o que os números revelam sobre a disputa presidencial brasileira

 

Análise comparativa entre o segundo turno de 2022 e o primeiro turno de 2026 aponta redução da vantagem de Lula e avanço do campo bolsonarista, em um cenário marcado por maior abstenção e fragmentação eleitoral



A eleição presidencial de 2026 produziu, no primeiro turno, uma configuração eleitoral distinta daquela observada no segundo turno de 2022. Quatro anos depois de uma disputa decidida por margem estreita entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), os resultados agora colocam Flávio Bolsonaro (PL) na primeira colocação, com 56.104.503 votos (47,03% dos válidos), e Lula em segundo, com 53.879.538 votos (45,16%).

A diferença entre os dois candidatos foi de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual. O resultado levou ambos ao segundo turno, marcado para 25 de outubro. Os números oficiais foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral após a conclusão da totalização.

A comparação com 2022, entretanto, exige uma ressalva metodológica: naquele ano, Lula e Jair Bolsonaro disputaram diretamente o segundo turno, enquanto em 2026 Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao segundo turno depois de uma primeira rodada com outros 11 candidatos. Ainda assim, a análise dos dados permite observar mudanças relevantes na dimensão do eleitorado, participação, votação nominal e distribuição relativa dos votos.


Eleitorado maior, participação proporcionalmente menor

O eleitorado apto passou de 156.454.011 eleitores em 2022 para 158.745.502 em 2026, crescimento de aproximadamente 2,29 milhões de eleitores, ou 1,47%.

Apesar da expansão do eleitorado, o comparecimento às urnas aumentou em proporção menor. Em 2022, no segundo turno, foram registrados 124.252.796 comparecimentos, enquanto em 2026 o primeiro turno registrou 125.275.835.

Em termos absolutos, portanto, houve aproximadamente 1,02 milhão de eleitores a mais nas urnas. Entretanto, proporcionalmente, a participação caiu de 79,41% para 78,92%, uma redução de 0,49 ponto percentual.

Consequentemente, a taxa de abstenção passou de aproximadamente 20,59% para 21,08%, segundo os números apresentados para os dois pleitos.

O dado é politicamente relevante, mas não permite concluir, isoladamente, que a abstenção tenha beneficiado determinado candidato. A abstenção é um comportamento eleitoral agregado e pode resultar de fatores diversos, como desmobilização, dificuldades de deslocamento, características demográficas e conjunturais ou decisão deliberada de não votar.


Lula: queda na votação nominal e na participação entre os válidos

Em 2022, Lula terminou o segundo turno com 60.345.999 votos, equivalentes a 50,90% dos votos válidos.

Em 2026, no primeiro turno, o presidente recebeu 53.879.538 votos, correspondentes a 45,16% dos votos válidos.

A diferença nominal é de:

−6.466.461 votos

Em termos proporcionais, a votação de Lula caiu aproximadamente 10,72% em relação ao número obtido no segundo turno de 2022.

Sua participação percentual entre os votos válidos também recuou de 50,90% para 45,16%, uma redução de 5,74 pontos percentuais.

Esse movimento, contudo, precisa ser interpretado com cautela. O segundo turno de 2022 era uma disputa binária entre dois candidatos. Já o primeiro turno de 2026 distribuiu votos entre 13 candidaturas presidenciais, o que naturalmente amplia a fragmentação do eleitorado.

Assim, a redução percentual de Lula não pode ser atribuída exclusivamente a uma perda de apoio. Parte dela decorre da própria estrutura competitiva do primeiro turno.


O campo bolsonarista: Flávio supera a votação de Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022

A comparação do outro polo político apresenta uma característica particularmente relevante.

Jair Bolsonaro recebeu 58.206.354 votos no segundo turno de 2022. Em 2026, Flávio Bolsonaro alcançou 56.104.503 votos no primeiro turno.

A diferença nominal é de 2.101.851 votos a menos para Flávio.

Entretanto, a comparação precisa considerar que são candidatos diferentes e que os resultados pertencem a turnos distintos.

Ainda assim, há um dado politicamente significativo: Flávio Bolsonaro conseguiu alcançar 47,03% dos votos válidos já no primeiro turno de 2026, enquanto Jair Bolsonaro havia obtido 49,10% somente no segundo turno de 2022.

Isso indica que, no estágio atual da eleição de 2026, o candidato do PL conseguiu concentrar uma parcela muito expressiva do eleitorado que se identifica com o campo político associado ao bolsonarismo.

Não é metodologicamente adequado concluir, apenas a partir desses números, que os 56,1 milhões de votos de Flávio representam integralmente a transferência do eleitorado de Jair Bolsonaro. O voto é individual e não pode ser presumido como hereditário ou automaticamente transferível entre candidatos.

O que os dados demonstram objetivamente é que o candidato do PL terminou o primeiro turno à frente de Lula e com uma votação superior àquela obtida por Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022, quando Bolsonaro havia registrado 51.072.345 votos.


A principal mudança está na distância entre os dois polos

Talvez o indicador mais relevante da comparação seja a distância entre os dois principais candidatos.

No segundo turno de 2022, Lula venceu Bolsonaro por:

2.139.645 votos

A diferença correspondia a 1,80 ponto percentual entre os votos válidos.

Em 2026, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula por:

2.224.965 votos

A vantagem corresponde a 1,87 ponto percentual.

Em termos estritamente numéricos, portanto, a distância entre os dois principais polos permaneceu bastante próxima da observada quatro anos antes.

A diferença é que o sentido da vantagem se inverteu.

Em 2022:

Lula 50,90% × Bolsonaro 49,10%

Em 2026:

Flávio Bolsonaro 47,03% × Lula 45,16%

A vantagem de 2026, entretanto, não representa uma maioria absoluta. Somados, os dois candidatos concentram 92,19% dos votos válidos, deixando aproximadamente 7,81% para as demais candidaturas. O TSE registrou 119.300.788 votos válidos no primeiro turno de 2026.


O papel da fragmentação no primeiro turno de 2026

A estrutura da votação de 2026 é importante para compreender o resultado.

Além de Flávio Bolsonaro e Lula, 11 candidatos participaram da disputa presidencial. Entre eles, Augusto Cury recebeu 3.448.569 votos (2,89%), Renan Santos 2.675.887 (2,24%) e Ronaldo Caiado 2.605.148 (2,18%). Os demais candidatos tiveram percentuais inferiores a 0,3%.

Isso significa que uma parcela do eleitorado que em 2022 só precisou escolher entre dois nomes, em 2026 teve uma oferta eleitoral significativamente maior.

Consequentemente, não é possível transportar mecanicamente os percentuais de um segundo turno para um primeiro turno.

O indicador mais adequado para avaliar a força relativa dos candidatos é observar, simultaneamente, o número absoluto de votos, o percentual sobre os votos válidos e a diferença para o adversário.

Sob essa perspectiva, o resultado de 2026 mostra uma disputa extremamente concentrada nos dois primeiros colocados, mas ainda aberta quanto à composição final do eleitorado no segundo turno.


Votos brancos e nulos também apresentam mudanças

Outro elemento relevante é o comportamento dos votos que não foram destinados a candidaturas.

Em 2026, foram registrados 2.300.798 votos em branco e 3.674.249 votos nulos, segundo a totalização divulgada.

No segundo turno de 2022, foram contabilizados 1.769.678 votos em branco e 3.930.765 votos nulos.

O número de votos brancos aumentou em aproximadamente 531 mil, enquanto os votos nulos diminuíram em aproximadamente 257 mil.

Mais uma vez, porém, esses movimentos não permitem identificar automaticamente uma preferência política. Branco e nulo constituem categorias distintas do voto válido e podem decorrer de comportamentos eleitorais heterogêneos.


O que mudou entre 2022 e 2026?

Considerando os indicadores disponíveis, é possível sintetizar a evolução em cinco pontos:

1. O eleitorado brasileiro cresceu.
O número de eleitores aptos aumentou aproximadamente 1,47%.

2. A participação absoluta cresceu, mas a participação proporcional caiu.
Mais eleitores compareceram em números absolutos, mas a taxa de comparecimento recuou 0,49 ponto percentual.

3. Lula perdeu votação nominal em relação ao segundo turno de 2022.
A redução foi de aproximadamente 6,47 milhões de votos, embora a comparação seja afetada pela diferença entre primeiro e segundo turno.

4. O candidato do PL chegou ao segundo turno em primeiro lugar.
Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos e superou Lula por 1,87 ponto percentual.

5. A polarização permanece elevada.
Flávio Bolsonaro e Lula concentraram juntos 92,19% dos votos válidos do primeiro turno de 2026, enquanto os demais candidatos dividiram os 7,81% restantes.


Uma eleição ainda sem vencedor definido

Do ponto de vista da ciência política eleitoral, o dado mais importante do primeiro turno de 2026 não é simplesmente a liderança de Flávio Bolsonaro, mas a proximidade entre os dois candidatos classificados para a segunda rodada.

A diferença de 1,87 ponto percentual é suficientemente pequena para impedir qualquer interpretação de vitória antecipada.

Além disso, o segundo turno modifica estruturalmente o ambiente eleitoral. Os votos destinados às candidaturas eliminadas deixam de competir entre si e passam a constituir o principal campo de disputa dos dois candidatos remanescentes. Somam-se a isso a possibilidade de realinhamentos partidários, novas alianças, mudanças na estratégia de campanha e alterações no comportamento dos eleitores que não votaram nos dois primeiros colocados.

Portanto, o primeiro turno de 2026 demonstra uma inversão da liderança observada no segundo turno de 2022, mas não estabelece, por si só, uma tendência determinística para a segunda votação.

A leitura mais objetiva dos dados é que o país chega ao segundo turno de 2026 com dois polos eleitorais altamente competitivos, diferença inferior a dois pontos percentuais e uma parcela minoritária, porém numericamente relevante, de votos distribuídos entre outras candidaturas.

Em comparação com 2022, o cenário revela uma mudança importante na posição relativa dos dois principais campos políticos: naquele pleito, Lula terminou vencedor por margem estreita; em 2026, o candidato do PL termina o primeiro turno à frente por margem igualmente estreita.

A definição do próximo presidente dependerá, portanto, da capacidade de cada candidatura de incorporar os votos das forças eliminadas, mobilizar eleitores que não compareceram às urnas e ampliar sua capacidade de conversão de apoio eleitoral em votos válidos no segundo turno.

Em termos estatísticos, a fotografia de 2026 é de vantagem para Flávio Bolsonaro; em termos eleitorais, a disputa permanece aberta.


Com informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral

10 setembro 2026

A Inteligência Artificial democratizou as ideias. Mas quem faz o "aperfeiçoamento" delas?

 



Vivemos um momento de transição fascinante na comunicação contemporânea. Com o advento das ferramentas de Inteligência Artificial generativa, a barreira de entrada para a criação de conteúdo foi drasticamente reduzida. Hoje, muitos gestores e empresários conseguem estruturar planos robustos, redigir textos e até conceber identidades visuais apenas dominando a engenharia de prompts.

Por muito tempo, acreditou-se que não existia empresa de sucesso sem uma agência de publicidade estruturada por trás. Hoje, a realidade nos mostra que existem, sim, empresas sem agências. Mas será que elas conseguem operar sem o olhar clínico de um profissional da comunicação?

A resposta que tenho encontrado no meu dia a dia e nas minhas imersões profissionais é: não.

O que acontece é que o escopo mudou. O desafio atual de grande parte dos clientes não é mais a "ideação". A IA resolve isso a um custo baixo. O verdadeiro desafio encontra-se no que chamo de "o último quilômetro da execução técnica". É o cliente que gera uma arte incrível na IA, mas esbarra na impossibilidade técnica de vetorizar essa marca para uso profissional. É a arte finalização de um material promocional, como uma estampa, ou o fechamento de arquivos complexos para a impressão gráfica. A IA imagina, mas é a mão humana e técnica que tangibiliza.

Além da técnica, há o fator mais crítico de todos: o resultado financeiro.

Uma agência de comunicação (mesmo as mais enxutas e modernas) carrega consigo uma estrutura que vai muito além de softwares e bancos de imagens. Carrega a necessidade de estudo constante, capacitação técnica, legalidade e inteligência de mercado. Tudo isso tem um custo. E o cliente moderno, com total razão, exige que esse investimento traga retorno imediato. Ele precisa de audiência, engajamento, mas acima de tudo: vendas.

Essa é a grande balança do mercado atual. O valor de um profissional de comunicação hoje não é medido apenas por sua capacidade de criar, mas por sua habilidade de ser útil e eficiente.

Meu foco, como consultor e profissional de publicidade, tem sido compreender profundamente esse novo cenário. Não se trata de competir com a Inteligência Artificial, mas de orquestrá-la. O objetivo é oferecer uma assessoria que entenda o contexto real de cada negócio, ajustando as expectativas e garantindo que o serviço prestado atinja o coração do problema.

Quando um empresário vê o preço de um serviço de marketing como um "gasto", é porque o valor estratégico não ficou claro ou o resultado final não se pagou. O futuro da nossa profissão é garantir que todo movimento comunicacional seja desenhado para ser um investimento a longo prazo, unindo a velocidade das novas tecnologias com a indispensável precisão da execução humana.

22 maio 2026

O fim do minimalismo ou genialidade efêmera? O que o "Discomorphism" do Spotify nos ensina sobre Branding.

 


Maio de 2026 ficará marcado como o mês em que o verde minimalista deu lugar ao brilho das pistas de dança. Em comemoração aos seus 20 anos, o Spotify lançou a campanha "Spotify 20: Your Party of the Year(s)" e tomou uma decisão ousada: alterou seu intocável logotipo para uma versão espelhada, texturizada e em 3D, apelidada pela comunidade de design como a estética do globo de discoteca.

Como estrategistas de marca, o que podemos aprender com o barulho gerado nos dias 14 e 15 de maio?

  • O Poder do "Branding Efêmero": O Spotify já confirmou que a logo original retorna na semana seguinte. Essa é a magia da escassez. Alterar o ativo mais valioso de uma marca (sua logo) de forma temporária gera um pico de buzz gigantesco sem comprometer o reconhecimento a longo prazo.

  • Quebra de Padrão Visual (Discomorphism): Vivemos a era do Flat Design e do minimalismo extremo. Quando o Spotify apresentou uma logo que dividiu opiniões — criticada por uns como "escura" ou "com cara de IA", e aclamada por outros pela ousadia —, a marca assumiu o controle da narrativa. Eles não queriam ser unânimes; queriam ser comentados.

  • O Efeito Manada B2B: O sucesso de uma ação de PR pode ser medido por quem pega carona nela. Quando gigantes como KitKat, Notion, Solana e Uniswap surfam na mesma onda nas redes sociais, o Spotify deixa de ser apenas uma plataforma e passa a ditar a cultura da internet naquele momento.


Imagem gerada com o Gemini
Imagem gerado pelo Gemini

Aqui na Solaire Comunicação & Marketing, também entrei na trend para testar a aderência visual da minha própria marca a essa tendência (como vocês podem ver na arte que ilustra este post). A conclusão? Marcas fortes aguentam experimentações estéticas.

A lição que fica é clara: ter consistência de marca não significa ser engessado. Quando a ocasião exige uma "festa", vista sua marca para ela.



06 março 2026

Resultado: Pesquisa de Opinião sobre Mídias Locais e Regionais

 



Como as pessoas se informam hoje?


Quais veículos realmente fazem parte do dia a dia do público?


E quais profissionais conseguem manter presença e credibilidade em meio a tantas fontes de informação?



Para ajudar a responder essas perguntas, o Blog Jequié Repórter, em parceria com a Solaire Comunicação & Marketing, realizou a Pesquisa de Opinião sobre Mídias Locais e Regionais. O levantamento reuniu a participação de 87 pessoas, que compartilharam seus hábitos de consumo de notícias, preferências de veículos e percepções sobre o jornalismo local.


Para pesquisas exploratórias de mídia local, 87 participantes: 

✔ Permitem identificar tendências 
✔ Revelam padrões de comportamento 
✔ Indicam preferências predominantes 
✔ Sinalizam oportunidades editoriais 

Não se trata de uma pesquisa probabilística com margem de erro formal, mas de um levantamento estratégico de percepção, ideal para diagnóstico e direcionamento editorial. 

O número de participantes sugere: 

  • - Público engajado 

  • - Interesse real no tema 

  • - Base ativa de leitores 

  • - Potencial de comunidade consolidada 

Para mídia local, o mais importante não é apenas volume, mas qualidade e perfil do público — e isso vamos analisar nas próximas perguntas.



Mais do que números, os resultados revelam tendências importantes sobre como a informação circula hoje, quais meios mantêm relevância e como o público se relaciona com o jornalismo em um cenário cada vez mais digital e multiplataforma.

A seguir, você confere os principais dados e análises que ajudam a compreender quem informa, como informa e onde o público realmente está.




89,6% dos participantes têm mais de 40 anos. 

Isso revela que: 

  • O Blog possui forte penetração em público adulto e consolidado. 
  • Trata-se de uma audiência com maior poder de decisão. 
  • Público potencialmente formador de opinião. 
  • Perfil com maior estabilidade econômica. 



Quase metade dos entrevistados (48,3%) afirma que Sites e Blogs são sua principal fonte de informação. 

Isso é extremamente relevante porque: 

  • Confirma a força do jornalismo digital regional. 
  • Demonstra confiança na informação estruturada. 
  • Indica busca por conteúdo mais aprofundado do que apenas redes sociais. 



O dado é contundente: 

👉 86,2% consomem notícias várias vezes ao dia. 

Isso revela: 

  • Alto nível de interesse informativo. 
  • Público conectado. 
  • Hábito consolidado de acompanhamento diário. 
  • Dependência informativa do noticiário. 

Estamos falando de um público altamente ativo.




Como é uma pergunta aberta (Top of Mind), ela mede: 

  • Força de marca 
  • Presença mental 
  • Autoridade estadual 
  • Relevância simbólica 

Não mede necessariamente audiência real — mede lembrança espontânea. 

E lembrança espontânea é um dos indicadores mais valiosos em branding. 




O Top of Mind é uma pergunta aberta de lembrança espontânea, sem apresentação prévia de opções. 


Por se tratar de uma pesquisa promovida dentro do ambiente do próprio blog, é natural que o Blog Jequié Repórter e o jornalista Wilson Novaes apareçam em respostas espontâneas. 


Esse tipo de pergunta mede: 

  • Presença mental 
  • Força de marca 
  • Autoridade percebida 
  • Relevância simbólica 

Ela não mede audiência técnica. E isso torna o dado ainda mais valioso.



Mais da metade dos entrevistados escolheu credibilidade como principal fator. 

Isso é muito expressivo. 

Significa que: 

  • O público valoriza reputação. 
  • A confiança é mais importante que velocidade. 
  • A marca importa. 
  • A percepção de seriedade é decisiva. 

Em pesquisas de mídia, quando um fator ultrapassa 50%, ele se torna dominante.



Globo com cerca de 56,7% mostra o seu 
domínio quase hegemônico. 

Diferente do cenário estadual digital, aqui temos concentração massiva. 



   TV Bahia (35,6%) mantém liderança clara. 

  TV Sudoeste (28,7%) aparece muito próxima, indicando: 

  • Forte identificação regional 
  • Alto consumo de jornalismo local 
   TVE Bahia (10,3%) demonstra presença relevante. 



Foco em Notícias: A Globo News lidera com folga (25,3%), reforçando a tendência de consumo de informação que vimos nos slides anteriores. 

Equilíbrio: Há um empate técnico no segundo lugar entre a CNN Brasil e a opção "Nenhuma", ambas com 10,3%.



Mais da metade do público (57,5%) ainda consome jornalismo no rádio. 

Isso é significativo, especialmente considerando que: 

  • 86% consomem notícias várias vezes ao dia; 
  • Sites e blogs lideram como principal meio;

O rádio não é o meio principal, mas é complementar.


Interessante perceber a Jequié FM (21,8%) sendo indicada como uma emissora de Rádio a nível estadual.



Sendo que quando a pergunta foca em uma emissora de Rádio de Jequié a 95 FM tem 25,4% dos votos, e a Jequié FM e a 93 FM aparecem com 20,7% das indicações.




Seguindo a liderança da audiência da 95 FM como rádio FM mais ouvida em Jequié, o programa Conexão obteve 20,7% das indicações. O destaque aqui é o programa Hora de Notícias (17,2%) que é transmitido ao vivo no YouTube do Jequié Repórter e retransmitido pela Rádio Cidade FM. Os programas Primeira Página (Rádio Povo) e Ari Moura Comunicando (Jequié FM) aparecem com 14,9% cada.



Esse gráfico indica o desafio da audiência trabalhada pelos profissionais lembrados: 

  • Forte pulverização da audiência 
  • Ausência de hegemonia dominante 
  • Público segmentado por perfil de programa 




Força nas Redes: Wilson Novaes (30,1%) e Wellington Ferreira (25,3%) aparecem como os grandes nomes da influência digital local, concentrando juntos mais de metade da preferência do público que acompanha jornalistas nas redes sociais. 

Presença Digital: O gráfico ressalta como a dinâmica das redes sociais pode ser diferente do rádio, evidenciando quais profissionais conseguem transpor sua audiência para as plataformas digitais.




Predomínio Digital: O gráfico deixa claro a força do digital, com Site/Blog (27,8%) e YouTube (25,3%) liderando a preferência.

Redes Sociais em Alta: O Instagram se consolida como a terceira maior força (17,2%), superando meios tradicionais e o próprio WhatsApp como fonte primária.

Queda das Mídias Tradicionais: É notável como a TV e o Rádio aparecem com percentuais de consumo direto de notícias menores do que os canais digitais nesta amostra específica.